Nota de Repúdio e Remoção do integrante Daniel Guth da rede Bike Anjo

Durante o Bicicultura, realizado em Recife, de 07 a 10 de setembro de 2017, testemunhas relataram que o presidente da Ciclocidade e voluntário da Rede Bike Anjo, Daniel Guth, agrediu fisicamente uma mulher, puxando-a fortemente contra sua vontade. Sendo assim, no último dia do evento durante a plenária, algumas mulheres se uniram e solicitaram uma moção, tendo em vista a posição que este ocupa dentro da Ciclocidade.

Diante de tal fato, nós, mulheres participantes da Rede Bike Anjo, solicitamos a exclusão do cadastro do mesmo, na plataforma do Bike Anjo e que ele não realize ações presenciais individuais e/ou coletivas como bike anjo.

Apesar de entendermos que ele não estava no Bicicultura como representante oficial desta Rede, ela estava. Era uma voluntária do bike anjo palestrando em nome da rede. A exclusão se mostra como um ato simbólico a expressar o repúdio da rede Bike Anjo a atitudes machistas e de violência contra mulheres. É, ainda, uma forma de manifestar apoio e respeito às vítimas de atitudes dessa natureza, e de demonstrar que elas não estão sozinhas e que podem contar com a rede Bike Anjo enquanto ponto de apoio, e com suas voluntárias e voluntários.

Além disso, entendemos que a Carta de Valores foi construída justamente para identificar e reprimir atos de voluntários que vão de encontro àquilo que a rede Bike Anjo tem como princípios e que norteia toda a nossa conduta e atuação, seja individualmente, seja coletivamente, como rede.

Nesse sentido, o acontecimento relatado do Bicicultura, protagonizado pelo Daniel Guth, encaixa-se em 2 itens de nossa Carta:

Assédios e abusos contra qualquer pessoa (voluntário ou público em geral) não são aceitos na rede Bike Anjo.

Não aceitamos comportamentos homofóbicos, machistas, racistas ou que envolvam discriminação de qualquer tipo.

Sendo assim, aguardamos a exclusão do cadastro e reforçamos que atos parecidos com esse não devem passar em branco. Nós acreditamos em uma sociedade mais justa e igualitária para todos e a rede Bike Anjo deve ser um dos atores de transformação, posicionando-se de maneira firme diante de tal acontecimento.

Esse texto foi construído por Bike Anjas de todo país.

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Amazona & Bike Anja

A BICICLETA NA MINHA VIDA

A minha história com a bicicleta é bem antiga, desde muito criança sempre gostei de pedalar. Quando cheguei na adolescência, deixei um pouco de lado as pedaladas devido aos estudos. Mas depois que formei e comecei a trabalhar, veio aquela velha cobrança de amigos e família de se ter um carro, cheguei até fazer autoescola e tudo, mas morria de preguiça de acordar cedo e ter que dirigir rsrs logo a época de testes expirou e não me interessei mais em voltar as aulas.

Depois disso, me mudei para um bairro novo e distante onde eu tinha que caminhar uns seis quarteirões para ir ao mercado e naquele sol escaldante, né? Bem, pensei, por que não comprar uma bicicleta? E foi aí que reatei de vez a minha relação com ela rsrs e até hoje essa relação de mais de 10 anos vem transformando a minha vida, pois comecei a ver a cidade de maneira diferente, a ser mais crítica, a reivindicar meu espaço nas ruas.

No início era apenas por lazer, pois sempre gostei de sentir essa sensação de liberdade que a bicicleta te dá. Saía sem destino pelo simples prazer de conhecer novos lugares. Nunca havia pensado em utilizar a bicicleta para ir ao trabalho pois na época achava perigoso, ainda mais eu sendo mulher, e também porque nunca via nenhuma se aventurando pelas ruas. Passei um bom tempo utilizando transporte coletivo para ir ao trabalho, e como qualquer outra cidade que se desenvolve, vieram os problemas relacionados a superlotação, demora e sucateamento dos ônibus. Em meio a todo esse caos, um dia resolvi experimentar ir ao trabalho pedalando e descobri na bicicleta um meio de transporte barato, eficiente, sustentável e saudável.

Desde lá ela tem sido minha fiel companheira. Confesso que, há uns anos, era bem difícil pedalar pela cidade pois, além dos assédios verbais, o que era chato pra caramba, o pior para mim era a violência no trânsito, a falta de respeito, muitas vezes precisei subir na calçada para não correr o risco de ser atropelada por excesso de velocidade. Mas essa realidade vem mudando de uns anos pra cá, ainda que lentamente, com o surgimento de pessoas envolvidas em prol da bicicleta.

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PEDALA MANAUS E BIKE ANJO MANAUS

Durante alguns anos sempre pedalava sozinha, pois ainda não existiam os grupos de pedais que se tem hoje. Em 2014, soube pela internet que um grupo de pedal ia fazer uma ação social para as crianças do Hemoam e foi assim que conheci a galera do Pedala Manaus, essa associação que vem realizando varias ações e projetos, estimulando o uso da bicicleta como esporte lazer e transporte.

Hoje participo como voluntária tanto no Pedala Manaus como no Bike Anjo Manaus, esse último ensinando adultos a realizarem o sonho de aprender a pedalar. Essa atividade é feita todo último domingo do mês e também temos outra atividade chamada Quinta Coletiva para quem já aprendeu a pedalar na EBA ou ainda não se sente segura pedalando sozinha e quer experimentar as ruas de bicicleta a noite de forma segura. Lá damos dicas de comportamento no trânsito, mecânica de bicicleta e rotas seguras. Além de bike anja, sou responsável pelos registros fotográficos.

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Ser bike anja pra mim é muito bom, a experiência de você realizar um sonho e sentir que seu aluno confia em você é algo gratificante. Fico feliz pois a maioria que nos procura para aprender a pedalar é mulher. Sempre converso com elas e conto da minha experiência de pedalar nas ruas e meu amor pela bicicleta. Elas chegam com vontade e a gente vibra com cada conquista delas. Claro que sempre rola uma lágrima de alegria nos depoimentos, nos agradecimentos por ter proporcionado a realização de um sonho, pela paciência dispensada e por acreditar na capacidade de cada aluno. Espero sempre poder continuar nesse projeto lindo e mostrar a essas mulheres, e homens também, o poder de transformação que a bicicleta realiza naqueles que resolvem adotar esse meio de transporte para sua vida!!

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Marileia Seixas: Professora de escola pública, 38 anos. Faz parte do movimento Pedala Manaus e é Bike Anja.  Utiliza a bicicleta como meio de transporte e é apaixonada por fotografia.

É o futuro! Ciclista na balada, ciclista em todo lugar.

  • vídeo enviado e exibido com a autorização da ciclista Renata Mesquita.

Renata Mesquita – 39 anos, designer gráfica, apaixonada por bicicleta e Embaixadora Specialized – Pedal Urbano

Comecei pedalando pelas ruas de São Paulo em 2010 para ir trabalhar. Aos poucos fui descobrindo um universo paralelo e muito legal conforme ia conhecendo as pessoas e as várias possibilidades de alegria que a bike poderia me dar.
Pedalei muito! Quase todos os tipos de bicicleta, e conheci lugares incríveis. Encarei desafios que me fizeram descobrir uma mulher muito mais forte e incrível do que eu imaginava. Conheci ciclistas urbanos, ciclo ativistas, fixeiros, mtbikers, speedeiros, triatletas, atletas de elite, domingueiros… Depois de tanto contar para o mundo como esse universo é bacana, fui convidada para ser uma das embaixadoras de um projeto para incentivar as mulheres a pedalar e sou líder de um grupo de ciclismo feminino, o Pelotão das minas.

Rumo à Aparecida… de bike!

#PedaldasAnjas aconteceu sábado passado – foi exclusivo para mulheres:

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’13º Pedal: Aniversário de 1 ano das Bike Anjas

 clique para ver FOTOS no evento no Facebook 

Quando: Sábado, 22.07, às 15h;

Ponto de encontro: Memorial da América Latina

(na rampa, saída da estação de metrô Barra Funda ) 

Um desafio ao qual eu me propus… e venci!

pedalei de SP até Paris……cida ;D

Foram 161 quilômetros em 12 horas, com velocidade média de 13km/h. 

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Éramos umas 14 pessoas: uns oito homens e seis mulheres. Fomos de Van até o começo da Rodovia Ayrton Senna e começamos o pedal às 22h de um sábado, dia oito de julho de 2017. Era noite de lua cheia, céu limpo e sem nuvens, um friozinho… bom para pedalar. Noite perfeita! Pedalar na estrada à noite foi uma aventura e tanto! Éramos guiados pelos faróis de nossas bikes e dos veículos que cruzavam conosco. Com paradas a cada 30-35 quilômetros, em pontos específicos e seguros, para repor as energias e se alimentar, se hidratar e ir ao toilette. E depois… volta pra estrada para pedalar 30-35 quilômetros direto, sem faróis vermelhos, pedestres, ou obstáculos quaisquer, só pedalar, pedalar e pedalar.

É uma adrenalina muito boa. As horas passaram sem que eu sentisse. Nunca imaginei que iria pedalar a noite toda sem que sentisse sono, cansaço, dor, desconforto – nada. Só uma alegria imensa. E quando começou a clarear o dia? O sol nascendo… que espetáculo! A mudança gradativa da noite que se esvai para o dia que desponta, e eu ali, pedalando, e assim, participando desta transformação divina que é pedalar!

Cada uma das cidades deixadas para trás era uma superação. Quando então chegamos à placa onde era indicado o último quilômetro antes de adentrarmos a cidade de Aparecida…Eeeehhh! Euforia! A alegria de depois de uma curva, avistar a catedral, e ter gás, que voltou com força renovada: acelerei, feliz da vida! Eu consegui! Nós conseguimos!!!Txt_aparecida_foto_01Digo também a vocês, conquistamos tanta alegria depois de momentos tensos. Antes de tudo, os três guias e organizadores, equipados com rádio, deram os avisos gerais, o que incluia, por exemplo, pedalarmos juntos. Porém, após o início do pedal, parte se destacou e então foram ficando uns muito à frente, outros muito atrás, e assim eu acabei ficando sozinha com uma colega depois de perdermos o segundo pelotão. Fiquei para trás, pois decidi esperar outra ciclista mulher como eu, e que não estava preparada para aquele ritmo. Já fiquei sozinha, me pus no lugar dela, porisso ficamos juntas. E lá se foram quase 30 quilômetros na estrada. Foi por Deus que não tivemos pneus furados ou qualquer outro imprevisto, pois por durante algum tempo, estávamos só nós. Quando chegamos ao ponto de encontro, o apoio final ainda demorou, e foi então soubemos que um grupo havia ficado para trás, com o azar de terem quatro câmaras furadas, além das gancheiras da bike do guia e organizador terem quebrado, impossibilitando ele de prosseguir com o pedal, e tudo bem, já que voltou com o carro de apoio.

Em um pedal como este, penso que seja imprescindível todos ficarem juntos, para que todos possam se sentir em segurança. A pressa de uns não pode significar o prejuízo do grupo, pois combinado não sai caro, e nos avisos havia um combinado. Espero que essa juventude possa aprender a esperar, com mais calma.

E minha bike? Ela foi maravilhosa, não me deu trabalho algum, só orgulho! Mas a próxima quero ir em um ritmo mais de passeio mesmo, podendo fotografar toda beleza do caminho, pois adoro registrar o que vejo. Pelo visto será em um próximo pedal, já que não foi neste. Bola pra frente!

Pronta para a próxima!

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Helenice Maria da Silva, idade 5.3, solteira, podóloga e massoterapeuta. Descobriu há apenas quatro anos e meio a bike, que transformou o seu mundo!

Texto: Helenice Maria da Silva

Revisão: TheLouise Stern

1 ano de Pedal das Bike Anjas

Pedalar sim, desistir jamais!

Participei em 2016, há um ano, do 1º Pedal das Bike Anjas. Infelizmente até agora fui apenas no primeiro, pois os encontros mensais posteriores acabaram coincidindo com outros compromissos. No entanto, apesar de apenas um, posso dizer que ter participado dele marcou-me bastante e foi o impulso inicial necessário para tirar algumas dúvidas e enfrentar alguns receios.

[#pedalpassado] foi exclusivo para mulheres: ’13º Pedal: Aniversário de 1 ano’ clique para ver FOTOS no evento do Facebook Ponto de encontro: Memorial da América Latina (ao lado da estação Barra Funda da Linha Vermelha do Metrô) Quando: Sábado22 de julho, às 15h;

Antes de participar do grupo eu achava que não tinha condições físicas de pedalar por aí e superar ladeiras, apavorava-me a simples ideia de transitar entre automóveis, era insegura até mesmo ao andar ao lado de outra bicicleta e achava que a bike estaria limitada a meus momentos de lazer. E a dúvida maior: será que eu realmente gostava de pedalar?

E foi com toda essa carga que eu compareci àquele encontro, em julho de 2016, disposta a, se não obter todas as respostas, pelo menos estar disponível a uma nova experiência. Para além das expectativas, o pedal resultou em uma sensação fantástica de realização, superação e acolhimento, proporcionada pelas atenciosas Anjas.

Porém, naquela primeira noite eu ainda não sabia que ela seria apenas o início de uma relação que vem se tornando cada vez mais profunda. Apesar de ter gostado muito de pedalar no grupo das Bike Anjas, logo depois fiquei distante da bicicleta uns quinze dias… e comecei a sentir muita falta.

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Para tentar descobrir um pouco mais sobre por que estava me sentindo daquela maneira e tentar entender qual seria minha relação com a bicicleta, me autodesafiei a pedalar por trinta dias seguidos. Não foi uma tarefa fácil, pois isso demandou encarar a bicicleta não apenas como um momento de lazer, mas também como um modo de vida. E foi aí que o pedal das Bike Anjas me ajudou, pois, ao lembrar o que eu havia feito e sentido, o desafio ficou um pouquinho mais fácil de ser encarado e, hoje, tenho a bicicleta como um de meus principais modos de locomoção por São Paulo (ao lado de caminhada e transporte público).

Foi em cima de uma bike que:

  • minha relação com a cidade se aprofundou;

  • passei a olhar pessoas e lugares sob uma perspectiva mais respeitosa;

  • comecei a entender melhor meus limites físicos (e, quem sabe, psicológicos). E, assim, também aprender como superá-los;

  • tornei-me mais confiante para pedalar pelas ruas paulistanas;

  • descobri ângulos de visão por entre os caminhos que passo e que nunca havia visto antes;

  • encontrei menos hostilidade dos motoristas do que estava esperava. A verdade é que descobri que existem muito mais pessoas dispostas a dividir as ruas e criar um ambiente agradável e receptivo para todos os modais de locomoção do que eu poderia imaginar antes de minha experiência durante o autodesafio;

  • minha relação com a bicicleta e a mobilidade ativa estreitou-se e ficou tão afinada que também me envolvi num empreendimento, a Mármaris, voltado para a confecção de bolsas personalizadas, que eu pudesse usar tanto na bike como em minhas caminhadas.

Todo esse movimento iniciou-se quando fui acolhida por este grupo das Bike Anjas. Contudo, tanto a melhoria da minha relação com a cidade e as pessoas, quanto o aprofundamento da confiança e a ampliação dos horizontes foram todos muito além das alamedas bicicletáveis, pois esta atmosfera começou a influenciar minhas atitudes positivamente e este resultado passou a refletir em todo o meu entorno.

É bom que, ao parar e observar o modo como a bicicleta afetou minha vida, eu reafirme dois fatores essenciais para que eu começasse a pedalar por aí: minha vontade de experimentar e, claro, ter encontrado Anjas que toparam me acompanhar no início dessa minha estrada, longa estrada. Isso, há só um ano. Que venham muitos mais. Parabéns a todas as envolvidas!

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Maísa Kawata é uma desencaixada inquieta. Descobriu que só conseguiria encontrar-se no mundo se trabalhasse para melhorá-lo. Para isso, fundou a Mármaris (www.vademarmaris.com.br), um empreendimento que vende bolsas que incentivam a mobilidade ativa, e criou o site Spiritus Mundi (www.spiritusmundi.com.br), no qual dá dicas de viagem, passeio, fala de experiências de vida e conta muito sobre sua relação com a bicicleta.

Texto: Maísa Kawata

Revisão: TheLouise Stern

 

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Pausa do 100km - Pagina da RachelDifícil descrever a intensidade vivida, mas é fácil observar a necessidade de eventos como o 100Gurias100Medo. Já se passou uma semana e sigo absorvendo tudo que  aconteceu entre os quatro dias de junho em Florianópolis. O Centro de eventos da Universidade Federal de Santa Catarina sediou a maioria das atividades, que também ocuparam espaços como a Pista de skate da Costeira. Trazendo muito (re)conhecimento, troca de informações, empoderamento, sororidade e pedaladas pela ilha da magia.

Na abertura o grupo Nós passarinhas deixou as emoções à flor da pele com o espetáculo Nuestros Cuerpos. A apresentação demonstrou através da dança aérea em tecido e interpretações no solo casos e descasos que acontecem com o corpo da mulher. Muitos olhos se encheram de lágrimas ao se identificar com o que estava sendo exposto no palco. Cortinas se fecham e o cenário foi transformado em uma sala de estar com tape e sofás para receber Carmem Susana, Joana Pedro, Juliana Luiz e Lara Beatriz em uma conversa sobre o “Medo no universo feminino”. Na sequência o grupo se dividiu em duas salas menores onde a Fernanda Machado e Simara Anchietta falaram sobre a Sinalização Cidadã, na sala ao lado ministrei junto com a Marcella Olinto a Oficina de Mecânica emergencial. Nesta oficina tentamos passar um pouco do nosso conhecimentos através de uma fala descontraída e que aborda um mesmo assunto com duas visões diferentes.Nuestros cuerpos - Maíra Kaline Januario

No segundo dia aproximadamente 150 mulheres se encontraram às 7h na frente do Centro de eventos da UFSC para uma bicicletada. Juntas completamos cerca de 35km até a Lagoa da Conceição, depois o grupo se dividiu entre as que voltariam fechando 50 km e as que iam fazer a volta na Ilha, 100km. A pedalada foi interrompida um pouco antes de chegar no Rio Vermelho, pela polícia militar ambiental e na sequência a rodoviária. Que vieram certificar a denúncia que havia mulheres pedalando na rodovia com as “mamicas” de fora. Nada de mamicas mas muita cantoria e cerca de 60 mulheres contemplaram o entardecer e sensação ímpar de fazer 100km100Medo.roda de conversa

O primeiro dia foi de escuta, o segundo de pedal, no terceiro… teve feirinha, roda de conversa, exibição de filme e festa. O Pedal das Gurias (RS), as Minas de Curitiba (PR), as Minas do Rio de Janeiro (RJ) e o Pedal Voluntário (SP) puxaram a primeira parte da roda. Começamos com uma dinâmica, depois relatos da história do cada grupo, as experiências e suas peculiaridades. Depois do  almoço e retomamos com a fala da Rachel Schein , apresentando a Página da Rachel, as Pedaleirax (SC) e encerrando a roda o projeto La Frida Bike  (BA). O lançamento nacional do documentário das Ovarian Psyco de Los Angeles foi aberto ao público indiferente do gênero, assim como a Velofesta. Que levou a todos que estavam na UFSC até a pista de skate da costeira com um pedal com muito som. Fomos recebidas com a energia dos tambores das Cores de Aide.

Colocamos em prática nossas habilidades enquanto começamos a nos despedir e questionar onde será a próxima edição. Natalia Fabris, Mayla Sylos e Patrícia Passos demonstraram algumas técnicas corporais que podem fazer a diferença na hora de uma possível agressão. Ana Santos e Simara Anchietta montaram um acampamento para mostrar as maravilhas e as necessidade de uma viagem feita com a bicicleta. Deisy Christoff  e Aline Dias ensinavam como se joga bike polo enquanto se despediam de todas, que já começavam a desmontar suas bicicletas para voltar pra casa.Oficina de defesa pessoal - Fernanda cordeiro

À todas que estiveram presentes um grande abraço de gratidão pelas energias trocadas. O 100Gurias100Medo era um sonho e agora passa de ser  uma realidade quando juntas vamos às ruas e falamos que ela é  sim  nossa e devemos sim ocupa-la. Às que não conseguiram ir procurem os vídeos, fotos, relatos e vamos nos organizar para que possamos nos encontrar em 2018 em qualquer lugar deste Brasil e realizar o pedal dos 100km100Medo.

Oficina de mecanica basicaTássia Furtado é bicicleteira de coração e arte educadora de formação. fundadora da VULP Bici Café, colaboradora do BiciPonto, integrante da Mobicidade, Pedal das Gurias, 100Gurias100Medo, voluntária Bike Anjo e uma das organizadoras das FixOlimpíadas 2014, da VeloFesta e do Velopodcast.

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