Bike Anjas participam de publicação sobre clima e gênero.

A Women Gender Climate (WCG) e seus membros associados,  premiaram 3 projetos voltado a soluções de gênero e clima na COP23,   (Conferência da ONU sobre mudanças climáticas), que aconteceu entre os dias 6 e 17 de novembro em Bonn na Alemanha. Os projetos  premiados receberão 2 mil euros e contarão com uma mentoria da organização durante um ano.

Além da premiação, a WCG fez uma publicação com outros 28 projetos que tinham o mesmo enfoque. As Bike Anjas foram selecionadas a participarem com o projeto que já é realizado em São Paulo. Ao todo foram 158 projetos inscritos de 70 países.

Para quem quiser ler o projeto, é só clicar AQUI.

Estamos muito felizes com o resultado e esperamos que essa solução seja adotada por outras cidades como forma de diminuição do impacto das mudanças climáticas.

Na premiação, fomos brilhantemente representadas pela Evelyn Araripe, Bike Anja desde sempre! 🙂

Nota de Repúdio e Remoção do integrante Daniel Guth da rede Bike Anjo

Durante o Bicicultura, realizado em Recife, de 07 a 10 de setembro de 2017, testemunhas relataram que o presidente da Ciclocidade e voluntário da Rede Bike Anjo, Daniel Guth, agrediu fisicamente uma mulher, puxando-a fortemente contra sua vontade. Sendo assim, no último dia do evento durante a plenária, algumas mulheres se uniram e solicitaram uma moção, tendo em vista a posição que este ocupa dentro da Ciclocidade.

Diante de tal fato, nós, mulheres participantes da Rede Bike Anjo, solicitamos a exclusão do cadastro do mesmo, na plataforma do Bike Anjo e que ele não realize ações presenciais individuais e/ou coletivas como bike anjo.

Apesar de entendermos que ele não estava no Bicicultura como representante oficial desta Rede, ela estava. Era uma voluntária do bike anjo palestrando em nome da rede. A exclusão se mostra como um ato simbólico a expressar o repúdio da rede Bike Anjo a atitudes machistas e de violência contra mulheres. É, ainda, uma forma de manifestar apoio e respeito às vítimas de atitudes dessa natureza, e de demonstrar que elas não estão sozinhas e que podem contar com a rede Bike Anjo enquanto ponto de apoio, e com suas voluntárias e voluntários.

Além disso, entendemos que a Carta de Valores foi construída justamente para identificar e reprimir atos de voluntários que vão de encontro àquilo que a rede Bike Anjo tem como princípios e que norteia toda a nossa conduta e atuação, seja individualmente, seja coletivamente, como rede.

Nesse sentido, o acontecimento relatado do Bicicultura, protagonizado pelo Daniel Guth, encaixa-se em 2 itens de nossa Carta:

Assédios e abusos contra qualquer pessoa (voluntário ou público em geral) não são aceitos na rede Bike Anjo.

Não aceitamos comportamentos homofóbicos, machistas, racistas ou que envolvam discriminação de qualquer tipo.

Sendo assim, aguardamos a exclusão do cadastro e reforçamos que atos parecidos com esse não devem passar em branco. Nós acreditamos em uma sociedade mais justa e igualitária para todos e a rede Bike Anjo deve ser um dos atores de transformação, posicionando-se de maneira firme diante de tal acontecimento.

Esse texto foi construído por Bike Anjas de todo país.

É o futuro! Ciclista na balada, ciclista em todo lugar.

  • vídeo enviado e exibido com a autorização da ciclista Renata Mesquita.

Renata Mesquita – 39 anos, designer gráfica, apaixonada por bicicleta e Embaixadora Specialized – Pedal Urbano

Comecei pedalando pelas ruas de São Paulo em 2010 para ir trabalhar. Aos poucos fui descobrindo um universo paralelo e muito legal conforme ia conhecendo as pessoas e as várias possibilidades de alegria que a bike poderia me dar.
Pedalei muito! Quase todos os tipos de bicicleta, e conheci lugares incríveis. Encarei desafios que me fizeram descobrir uma mulher muito mais forte e incrível do que eu imaginava. Conheci ciclistas urbanos, ciclo ativistas, fixeiros, mtbikers, speedeiros, triatletas, atletas de elite, domingueiros… Depois de tanto contar para o mundo como esse universo é bacana, fui convidada para ser uma das embaixadoras de um projeto para incentivar as mulheres a pedalar e sou líder de um grupo de ciclismo feminino, o Pelotão das minas.

Rumo à Aparecida… de bike!

#PedaldasAnjas aconteceu sábado passado – foi exclusivo para mulheres:

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’13º Pedal: Aniversário de 1 ano das Bike Anjas

 clique para ver FOTOS no evento no Facebook 

Quando: Sábado, 22.07, às 15h;

Ponto de encontro: Memorial da América Latina

(na rampa, saída da estação de metrô Barra Funda ) 

Um desafio ao qual eu me propus… e venci!

pedalei de SP até Paris……cida ;D

Foram 161 quilômetros em 12 horas, com velocidade média de 13km/h. 

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Éramos umas 14 pessoas: uns oito homens e seis mulheres. Fomos de Van até o começo da Rodovia Ayrton Senna e começamos o pedal às 22h de um sábado, dia oito de julho de 2017. Era noite de lua cheia, céu limpo e sem nuvens, um friozinho… bom para pedalar. Noite perfeita! Pedalar na estrada à noite foi uma aventura e tanto! Éramos guiados pelos faróis de nossas bikes e dos veículos que cruzavam conosco. Com paradas a cada 30-35 quilômetros, em pontos específicos e seguros, para repor as energias e se alimentar, se hidratar e ir ao toilette. E depois… volta pra estrada para pedalar 30-35 quilômetros direto, sem faróis vermelhos, pedestres, ou obstáculos quaisquer, só pedalar, pedalar e pedalar.

É uma adrenalina muito boa. As horas passaram sem que eu sentisse. Nunca imaginei que iria pedalar a noite toda sem que sentisse sono, cansaço, dor, desconforto – nada. Só uma alegria imensa. E quando começou a clarear o dia? O sol nascendo… que espetáculo! A mudança gradativa da noite que se esvai para o dia que desponta, e eu ali, pedalando, e assim, participando desta transformação divina que é pedalar!

Cada uma das cidades deixadas para trás era uma superação. Quando então chegamos à placa onde era indicado o último quilômetro antes de adentrarmos a cidade de Aparecida…Eeeehhh! Euforia! A alegria de depois de uma curva, avistar a catedral, e ter gás, que voltou com força renovada: acelerei, feliz da vida! Eu consegui! Nós conseguimos!!!Txt_aparecida_foto_01Digo também a vocês, conquistamos tanta alegria depois de momentos tensos. Antes de tudo, os três guias e organizadores, equipados com rádio, deram os avisos gerais, o que incluia, por exemplo, pedalarmos juntos. Porém, após o início do pedal, parte se destacou e então foram ficando uns muito à frente, outros muito atrás, e assim eu acabei ficando sozinha com uma colega depois de perdermos o segundo pelotão. Fiquei para trás, pois decidi esperar outra ciclista mulher como eu, e que não estava preparada para aquele ritmo. Já fiquei sozinha, me pus no lugar dela, porisso ficamos juntas. E lá se foram quase 30 quilômetros na estrada. Foi por Deus que não tivemos pneus furados ou qualquer outro imprevisto, pois por durante algum tempo, estávamos só nós. Quando chegamos ao ponto de encontro, o apoio final ainda demorou, e foi então soubemos que um grupo havia ficado para trás, com o azar de terem quatro câmaras furadas, além das gancheiras da bike do guia e organizador terem quebrado, impossibilitando ele de prosseguir com o pedal, e tudo bem, já que voltou com o carro de apoio.

Em um pedal como este, penso que seja imprescindível todos ficarem juntos, para que todos possam se sentir em segurança. A pressa de uns não pode significar o prejuízo do grupo, pois combinado não sai caro, e nos avisos havia um combinado. Espero que essa juventude possa aprender a esperar, com mais calma.

E minha bike? Ela foi maravilhosa, não me deu trabalho algum, só orgulho! Mas a próxima quero ir em um ritmo mais de passeio mesmo, podendo fotografar toda beleza do caminho, pois adoro registrar o que vejo. Pelo visto será em um próximo pedal, já que não foi neste. Bola pra frente!

Pronta para a próxima!

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Helenice Maria da Silva, idade 5.3, solteira, podóloga e massoterapeuta. Descobriu há apenas quatro anos e meio a bike, que transformou o seu mundo!

Texto: Helenice Maria da Silva

Revisão: TheLouise Stern

1 ano de Pedal das Bike Anjas

Pedalar sim, desistir jamais!

Participei em 2016, há um ano, do 1º Pedal das Bike Anjas. Infelizmente até agora fui apenas no primeiro, pois os encontros mensais posteriores acabaram coincidindo com outros compromissos. No entanto, apesar de apenas um, posso dizer que ter participado dele marcou-me bastante e foi o impulso inicial necessário para tirar algumas dúvidas e enfrentar alguns receios.

[#pedalpassado] foi exclusivo para mulheres: ’13º Pedal: Aniversário de 1 ano’ clique para ver FOTOS no evento do Facebook Ponto de encontro: Memorial da América Latina (ao lado da estação Barra Funda da Linha Vermelha do Metrô) Quando: Sábado22 de julho, às 15h;

Antes de participar do grupo eu achava que não tinha condições físicas de pedalar por aí e superar ladeiras, apavorava-me a simples ideia de transitar entre automóveis, era insegura até mesmo ao andar ao lado de outra bicicleta e achava que a bike estaria limitada a meus momentos de lazer. E a dúvida maior: será que eu realmente gostava de pedalar?

E foi com toda essa carga que eu compareci àquele encontro, em julho de 2016, disposta a, se não obter todas as respostas, pelo menos estar disponível a uma nova experiência. Para além das expectativas, o pedal resultou em uma sensação fantástica de realização, superação e acolhimento, proporcionada pelas atenciosas Anjas.

Porém, naquela primeira noite eu ainda não sabia que ela seria apenas o início de uma relação que vem se tornando cada vez mais profunda. Apesar de ter gostado muito de pedalar no grupo das Bike Anjas, logo depois fiquei distante da bicicleta uns quinze dias… e comecei a sentir muita falta.

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Para tentar descobrir um pouco mais sobre por que estava me sentindo daquela maneira e tentar entender qual seria minha relação com a bicicleta, me autodesafiei a pedalar por trinta dias seguidos. Não foi uma tarefa fácil, pois isso demandou encarar a bicicleta não apenas como um momento de lazer, mas também como um modo de vida. E foi aí que o pedal das Bike Anjas me ajudou, pois, ao lembrar o que eu havia feito e sentido, o desafio ficou um pouquinho mais fácil de ser encarado e, hoje, tenho a bicicleta como um de meus principais modos de locomoção por São Paulo (ao lado de caminhada e transporte público).

Foi em cima de uma bike que:

  • minha relação com a cidade se aprofundou;

  • passei a olhar pessoas e lugares sob uma perspectiva mais respeitosa;

  • comecei a entender melhor meus limites físicos (e, quem sabe, psicológicos). E, assim, também aprender como superá-los;

  • tornei-me mais confiante para pedalar pelas ruas paulistanas;

  • descobri ângulos de visão por entre os caminhos que passo e que nunca havia visto antes;

  • encontrei menos hostilidade dos motoristas do que estava esperava. A verdade é que descobri que existem muito mais pessoas dispostas a dividir as ruas e criar um ambiente agradável e receptivo para todos os modais de locomoção do que eu poderia imaginar antes de minha experiência durante o autodesafio;

  • minha relação com a bicicleta e a mobilidade ativa estreitou-se e ficou tão afinada que também me envolvi num empreendimento, a Mármaris, voltado para a confecção de bolsas personalizadas, que eu pudesse usar tanto na bike como em minhas caminhadas.

Todo esse movimento iniciou-se quando fui acolhida por este grupo das Bike Anjas. Contudo, tanto a melhoria da minha relação com a cidade e as pessoas, quanto o aprofundamento da confiança e a ampliação dos horizontes foram todos muito além das alamedas bicicletáveis, pois esta atmosfera começou a influenciar minhas atitudes positivamente e este resultado passou a refletir em todo o meu entorno.

É bom que, ao parar e observar o modo como a bicicleta afetou minha vida, eu reafirme dois fatores essenciais para que eu começasse a pedalar por aí: minha vontade de experimentar e, claro, ter encontrado Anjas que toparam me acompanhar no início dessa minha estrada, longa estrada. Isso, há só um ano. Que venham muitos mais. Parabéns a todas as envolvidas!

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Maísa Kawata é uma desencaixada inquieta. Descobriu que só conseguiria encontrar-se no mundo se trabalhasse para melhorá-lo. Para isso, fundou a Mármaris (www.vademarmaris.com.br), um empreendimento que vende bolsas que incentivam a mobilidade ativa, e criou o site Spiritus Mundi (www.spiritusmundi.com.br), no qual dá dicas de viagem, passeio, fala de experiências de vida e conta muito sobre sua relação com a bicicleta.

Texto: Maísa Kawata

Revisão: TheLouise Stern

 

Eu, Fortaleza e a bicicleta <3

Fortaleza ganhou estrutura para ciclistas há pouco tempo. A primeira ciclofaixa da capital cearense é de 2012, na avenida Benjamin Brasil. No ano seguinte, foi entregue a ciclofaixa da rua Ana Bilhar, em área considerada nobre da cidade. Em 2014, o projeto de ciclofaixa de lazer, aos domingos, surgiu. No fim daquele ano, começava o sistema de bicicletas compartilhadas, o Bicicletar. Depois ainda veio projeto de bicicletas integradas ao transporte coletivo e, agora, será inaugurado sistema de bicicletas para as crianças, em praças. A Fortaleza Ciclista não para de crescer – e eu fui crescendo ciclista com ela.
​Bem antes disso, eu aprendi a pedalar. Foi nas casas dos meus avós paternos e maternos, no Rio Grande do Sul. No interior, em uma cidade chamada Santo Antônio da Patrulha, no sítio da vó Carmen e do vô Biello, lembro da “evolução” rumo à pedalada sem rodinhas, empurrada pelo meu pai – meu grande incentivador pela paixão pelas bicicletas. O pai tem uma bicicleta de 41 anos, daquelas que chamam a atenção quando passam. É a relíquia dele, um orgulho. Ele sempre gostou de pedalar e passou isso para mim – mas eu só descobri este amor recentemente.
Passei a viver esse sentimento quando Fortaleza foi virando ciclista. Comecei com a ciclofaixa de lazer, aos domingos, mas acordar cedo neste dia passou a ser complicado… E eu decidi levar a bicicleta para os dias úteis – a cidade me convidava pra isso.
Primeiro, era revezando a bicicleta compartilhada com a bicicleta da minha mãe – pequena, ajustada para o corpo dela. Mas, no aniversário de 2016, ganhei a ~bicicleta própria~ (montada com a troca de um quadro antigo que tínhamos em casa). E com ela tenho vivido histórias bonitas, mas também situações incômodas – natural que seja assim.
A bicicleta me dá a certeza de que o caminho de hoje nunca será igual ao de ontem. E eu gosto disso. Mesmo essa sensação sendo possível com outros meios de transporte (você muda o trajeto, vai mais ou menos devagar, etc), com a bicicleta o corpo inteiro sente a ida (e a faz acontecer). Pedalando, tudo é sempre diferente porque há dias de mais cansaço/preguiça, que exigem mais das pernas, dias com sol mais forte, dias de desgaste com os motoristas…
Essa relação com o motorista, inclusive, é aprendizagem diária. Especialmente porque eu mesma sou motorista – e aprendo a ser melhor enquanto pedalo, observando posturas irresponsáveis e ameaçadoras de quem está atrás de volantes. A cidade é muito hostil no trânsito. É uma disputa por espaço constante. Parece que todos estão com raiva a todo tempo. Por isso, em Fortaleza, as ciclofaixas e ciclovias ainda causam incômodo. A sensação de muitos é de “perda” de espaço. Esquece-se o ganho de convivência, do compartilhamento. Mas, contra a hostilidade, a resistência. E é cada vez maior o número de ciclistas em Fortaleza.
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A prefeitura daqui tem um projeto de tornar Fortaleza “a cidade mais ciclável do Brasil”. Tem trabalhado pra isso, avançado na instalação de espaços para o ciclista, mas ainda falta muito. Um amigo, um dia desses, ironizou que os técnicos do município parecem sempre escolher o lado mais esburacado da rua para a instalação de ciclofaixas. Os empreendimentos públicos e particulares ainda carecem de paraciclos, por exemplo. E o motorista não está preparado para essa convivência.
Sente-se isso mais especialmente quando se é mulher. O assédio é constante. São assovios, carros encostando enquanto você pedala, perseguições com o olhar… Incomoda. Mas não me fará parar de pedalar nunca. Somos cada vez mais mulheres nas ruas, encarando, enfrentando, resistindo. Sempre que eu passo por uma eu sorrio e penso “está dando certo”!
Uma cicloativista comentou em uma palestra recente que sonha com o dia em que não será indagada sobre “como tem coragem” de pedalar em Fortaleza. Isso está martelando na minha cabeça desde lá. É preciso coragem. Eu mesma ainda não consegui inserir a bicicleta nas programações noturnas. É um processo. Mas sei que é preciso marcar presença, fincar os pés (as rodas?!) e ir. Nunca deixar de ir. Sigo indo – com responsabilidade, leveza, amor pela cidade e com um monte de gente.
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Mariana Lazari, 28 anos, ciclista em Fortaleza 🙂