Bike: frio e chuva & sem tempo ruim.

Como naturalmente acontece, as estações do ano mudam e mais dia menos dia o frio se instaura na cidade. Com ele, a chuva, presente praticamente o ano inteiro, que é típica do clima tropical em que vivemos. Pois bem, frio e chuva não deveriam ser empecilhos para nosso pedal cotidiano.

Lógico que sabemos dos possíveis resfriados, gripes e desconfortos, mas esse texto é para encorajar e contribuir com algumas dicas para que mesmo naqueles dias cinzas, não tenha tempo ruim. Assim, penso que a bike possa ser desfrutada diariamente, faça chuva, faça frio.

Primeiramente, é fato que para estarmos preparadas para as intempéries a nossa mala vai aumentar de peso, e por isso a primeira grande dica é adquirir um BAGAGEIRO (quem sabe até com caixa) para poupar suas costas.  É libertador.

A escolha da mochila também pode ser uma grande ajuda, e felizmente hoje o mercado dispõe de muitas versões e preços para MATERIAIS IMPERMEÁVEIS. Mas saiba que caso você não queira ou não possa investir nisso, fique tranquila: um tradicional saco de lixo protegerá sua mala das chuvas mais torrenciais.

Em segundo lugar, a grande preocupação é a ROUPA MOLHADA. Antes, é importante dizer que não há capa de chuva milagrosa. Uma hora ou outra elas nos molham, porque sempre terá um vão pra água entrar! Então, é legal ter a capa, mas saiba que é imprescindível ter uma troca de roupa. Algumas escolhas na vestimenta, como tipo de tecido, contribuem para otimizar o peso e ao mesmo tempo proteger-se do frio.

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Uma calça tipo lycra, uma blusa do mesmo material com uma jaqueta corta vento são materiais leves que mesmo quando molhados não aderem à água e não pesarão na mochila após o uso. Da mesma maneira, a roupa extra podem ser PEÇAS ESTRATÉGICAS como calças fusô, blusas do tipo fleece e uma jaqueta corta vento. Todas essas peças tem um volume e peso pequeno se comparadas às de lã ou jeans, pullover ou moleton. As peças certas podem conjuntamente nos esquentar enquanto podemos continuar charmosas!  Outros adereços, como lenços no pescoço, gorros e polainas, são adornos que ajudam aquecer, ainda com a vantagem de não serem volumosos.

Terceira dica: o CALÇADO também é importante, ninguém merece ficar com os pés molhados! Muitos aderem às sacolas nos pés, mas, assim como a capa, acaba sempre molhando. Uma dica é usar um tênis velho reserva, ou então não o chinelo, mas a sandália-chinelo, aquela com tiras, justamente para ficar mais seguro no pé. Também é possível improvisar, por exemplo: no mercado tem disponível sapatilhas de mergulho ou outro correlata. Elas são perfeitas, pois não pesam, são de borracha e nestes dias de nuvens instáveis, podem ficar na sua mala, envolvidas em um saquinho plástico, como parte do seu kit diário!

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4o item: A LUVA é um item subestimado. Quando usamos luva, entre a mão e a manopla temos a garantia de maior aderência, que com a umidade pode escorregar ou deslizar. Ah, e há também de se considerar a proteção muitas vezes salvadora em caso de quedas.

Falando em considerações, em quinto lugar vamos lembrar sobre a PRECAUÇÃO. Se não observarmos um pouco as condições climáticas, podemos nos expor as friagens se estivermos despreparados. A bike nesse sentido nos deixa muito vulnerável se fomos pegas de surpresa. Então além da vestimenta, há também os alimentos. Não é intenção aqui entrar no aspecto medicinal e nutricional, mas sim comentar que existem muitos chás, sucos e rotinas alimentares mais naturais que contribuem para aumentar a imunidade. Este é um conhecimento no qual vale a pena investir tempo e leituras!  

O sexto item é sobre SEGURANÇA, e vale reforçar algumas coisas. Se for pedalar entre os carros, saiba que este momento merece uma atenção extra. Nos dias de chuva os semáforos costumam pifar, eventualmente as frenagens dos veículos falham e os buracos ficam encobertos pelas poças. Tudo isso vai exigir um pedal mais cauteloso, ou seja, temos que estar com os dedos indicador e médio o tempo todo posicionados para acionar os freios . Somando a isso o frio ou chuva, as ruas ficam visivelmente mais ermas, com menos movimento de pedestres, por isso, nestes dias é uma boa estratégia priorizar rotas “mais movimentadas”, se possível.

E são esses os seis passos que pude reunir para ajudar a quem começa:

  1. BAGAGEIRO;
  2. ROUPA MOLHADA;
  3. CALÇADO;
  4. LUVA;
  5. PRECAUÇÃO;
  6. SEGURANÇA.

Tenhamos consciência de que é um processo de ADAPTAÇÃO encarar um inverno mais rigoroso, de enfrentar uma chuva forte no pedal ou situações menos extremas como friozinho e garoa. Só que é RECOMPENSADOR, como sempre, ir de bike, tanto pela agilidade, quanto pela economia, saúde e além do bem-estar. Em especial nesses dias de frio e chuva, as pessoas fazem mais uso do transporte motorizado individual, o que piora consideravelmente o trânsito, causando congestionamentos insuportáveis. De relance não parece muito convidativo, mas depois da primeira experiência, descobrimos mais vontade e amor à magrela. Em um dia de cidade caótica como esses, ao chegar rápido em casa só restará a certeza de que o frio e a chuva podem se tornar mais um bom motivo para não deixarmos nossas magrelas encostadas na garagem.

Pedalar na cidade e no dia-a-dia tem lá seus desafios, mas o que importa mesmo é que não pode ter tempo ruim!

Fernanda Bardelli, 32 anos, é ciclista e geógrafa. Atua na área de meio ambiente, faz pós-graduação em Planejamento e Gestão de Cidades, é integrante do coletivo Bike Anjas, se aventura nas estradas pedalando e há seis anos a bike é seu transporte diário nas ruas de São Paulo, faça chuva, faça sol.   

 

Texto: Fernanda Bardelli

Revisão: The Louise Stern

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